Testemunhos

"Não gosto do palco. As luzes confundem-me. Além disso o palco não é para nós. os protagonistas são as pessoas para quem trabalhamos."

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Aquilo era físico, era forte, o que era importante. A maneira como falava, como interligava. Era um homem de convicções e que sabia ouvir. Não se deixava ficar, insistia sempre na ideia dele, na equipa dele. Tinha uma enorme preocupação com o rigor e a exigência.

Uma vez assisti a uma reunião com um cliente em que este diz: “Não gosto particularmente do seu estilo...”. O Manuel Violante responde-lhe de imediato: “não se preocupe que eu também não gosto do seu”.

António Mexia

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Personalidade extremamente interessada em tudo o que o rodeava, conseguia relacionar-se facilmente com os outros dando-lhe um cunho gratificante.

Gostava de estratégia militar e debateu connosco a aplicação desses princípios à vida das empresas.

António Ramalho Eanes

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Manuel Violante zangava-se com facilidade. Era muito frontal. Como consultor era irreverente. Aqui na Sonae já havia quem estivesse à espera dele para a discussão.

O Manuel Violante foi o consultor que desbravou o mercado em Portugal. Não criou uma escola mas injectou o mercado português.

Belmiro de Azevedo

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Manuel Violante era melhor executor do que gestor. Era brilhante a resolver os problemas dos seus clientes, mas tinha algumas limitações ao nível da gestão da própria casa.

Ele vendia bem e era muito cuidadoso, tinha uma capacidade de síntese fantástica, os documentos feitos por ele eram obras primas.

Christopher de Beck

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O Manuel Violante era uma pessoa muito apaixonada e afectiva e a amizade era uma das prioridades dele. Era um dos intelectos mais brilhantes que conheci. Era uma pessoa muito culta, sabia muito. Muito inteligente e muito exigente, consigo próprio e com os outros.

A filha foi um acontecimento na vida dele. Tinha uma grande devoção com a filha, uma ligação muito forte... Não teve tempo para estar com a filha.

Fernando Ulrich

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No MBA estudávamos projectos de empresas instaladas nos EUA e foi nessa altura que fiquei a aperceber-me que falar de um português no estrangeiro era falar de Manuel Violante.

Sempre que havia um projecto do banco, o Eng. Jardim Gonçalves convidava meia dúzia de pessoas e o Manuel Violante era uma delas.

Ele era um pouco louco, mas sensato a aconselhar os outros no aspecto pessoal/familiar.

João Tallone

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Na primeira entrevista que tive com Manuel Violante, a dada altura referi-me a um dossier sobre o BCP que ele tinha no gabinete, considerando tratar-se de uma obra impressionante. Ele reagiu de imediato: “Não se engane que isso não é uma história nossa, isso é uma história do management do BCP”. E nem me deu espaço para continuar, sentia que o BCP era parte dele, mas não deixava que o dissessem.

Uma vez numa reunião da Sonae discutia-se um tema de finanças. Um dos presentes vira-se e diz: “Dr. Manuel Violante tenha lá calma que está aqui um Prof. de Finanças”. Ele responde: “então já somos dois”

Tinha alguma insegurança e muita ansiedade, sentia-se isso na discussão prévia dos projectos. Era um perfeccionista e tinha um método de trabalho muito próprio, escrevia tudo o que se dizia. Na apresentação tinha sempre um texto escrito com tudo o que poderia dizer.

João Castello Branco

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O BCP tinha aberto em 1986 e o Manuel Violante assistiu a todos os passos do banco. Há um livro da Mckinsey, Em busca da excelência, que retrata muito do caminho que seguimos. Foi muito importante o contributo do Manuel Violante.

As conversas que eu tinha com o Manuel Violante não eram debaixo de pressão. Eram reuniões tranquilas. Tinha uma disciplina tremenda de oportunidade, se considerava dever intervir, intervinha. Fazia muito bem a introdução e a sumarização.

Manuel Violante tinha uma enorme capacidade para se desmultiplicar, para apanhar tudo. No saber era humilde, recebia tudo o que era útil e criava um depósito. O facto de saber que era muito inteligente não o levava à preguiça ou a deixar-se ficar na intuição rápida.

Ele não era nada mediático, mas muito profundo e muito sabedor. Pensava em termos de País, pensava micro e pensava macro e nós perdemos muito com a morte dele.

Jorge Jardim Gonçalves

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O Manuel Violante era também muito exigente com a sua profissão. Muitas vezes deparava-se com choque de interesses e optava pela defesa da instituição. Sempre com receio de ferir ou de ser injusto, mas consciente de que em certas ocasiões teve de ser injusto para vencer.

Homem de fé viva e escrupuloso, tinha sempre medo de não estar a condizer com a fé. Era um homem de oração. Esta também fazia parte da sua vida profissional, nas dúvidas e incertezas do seu mundo e da sua profissão.

Tinha atenção aos necessitados e às vezes pedia-me para distribuir, sendo muito generoso naquilo que dava. Era a paróquia que dava o que ele me entregava.

Monsenhor José Freitas

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O Manuel Violante especificou de forma única os futuros padrões do BCP. Os padrões da McKinsey eram muito elevados e influenciaram decisivamente o nascimento e o futuro do BCP.» «Não me recordo de nenhuma decisão estratégica do banco a que não tenha estado associado o Dr. Manuel Violante.

Pedro Alvares Ribeiro

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O Manuel Violante era um camaleão, sabia adaptar-se ao cliente, fosse ele o Jardim Gonçalves, Belmiro de Azevedo ou os irmãos Baptista da Silva, com quem era bem diferente do ponto de vista temperamental. Nas reuniões da McKinsey muitas vezes também fazia teatro, com momentos em que parecia ter perdido o controlo, em que se exaltava, para cinco minutos depois parecer que nada se tinha passado

A minha geração foi marcada pelo Manuel Violante. É uma geração que sistematicamente é levada a pensar perante situações mais difíceis no que o Manuel Violante faria para enfrentar o problema em questão.

O Manuel Violante às vezes avançava com processos de horror e as pessoas saiam antes de ter dado o que podiam à McKinsey.

Pedro Morais Leitão

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O Manuel Violante gostava de um bom debate. Estudava muito, preparava-se. Ele tinha muitas vezes razão, mas nem sempre... o desafio era importante para ele.

Ele nem sempre tratava bem as pessoas e isso afectou-o na avaliação que a firma por vezes fez dele. Houve uma altura em que o Francisco Moreno teve mesmo que intervir a favor do Manuel Violante.

Pedro Rodeia

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A primeira impressão que tive dele foi de uma pessoa muito inteligente e com grande determinação. Considerava que os portugueses poderiam estar entre os melhores, pelo que não havia razão para que tal não acontecesse. Revelava um certo inconformismo, não aceitava que não pudéssemos ter actuações tão boas como os melhores.

No primeiro projecto connosco introduziu alguns elementos de excelência. Espírito rigoroso, com excelente visão estratégica, mas atirado para a frente pois considerava a inovação determinante nas análises que fazia aos projectos. Mas não era inovação pela inovação, no confronto podia optar por um modelo tradicional por o considerar mais ajustado.

Vasco de Mello